Exaustivo. As pessoas, os assuntos, os lugares. As cores, os cheiros, até os amores.
Se encontrar assim não é lá uma grande coisa na sua vida. Se tornar assim, é o que mais me preocupa. Um dia amei as pessoas, falei de todos os assuntos e adorava ir sempre aos mesmos lugares. Cansei. Via a beleza das cores, não como apenas cores, como arte. Reconhecia o cheiro das flores facilmente. Tive amores tão intensos que pensei ser capaz de mergulhar em um mar sem fim quando os perdia. Passou.
Frieza. O ódio, a magoa, o rancor, até mesmo aquele suspiro tedioso. Conviver com pessoas frias não me assusta. Ter me tornado fria é o que me preocupa. Nunca entendia o ódio alheio, até começar a sentir ódio do mundo. Nunca deixei de perdoar alguém, hoje se quer tento me reconciliar. Eu estava ali, o tempo todo, sempre sorrindo, sempre caminhando. Acabei por me contentar com sorrisos quebrados, com caminhos estreitos.
Medo. A indecisão, o fracasso, o “será” e o “se”, os olhos dos outros, os pensamentos do outros. Por muito tempo isso não me preocupava. Por muito tempo eu não tinha nada a perder. Penso só agora o que diria os que me ama? Como seria vista pela sociedade e que tipo de profissional seria? Sei que alguns não entendem. Não espero isso de vocês. Apenas é um misto de vergonha com preocupação e repudio. Errado eu sei, pois por muito tempo fui feliz assim. Hoje não sei o que se entende por felicidade.
Saudade. As lembranças, os momentos, os sorrisos, as conversas, as marcar em mim, até as brincadeiras mais intimas. É disso que sinto falta. É você que vai me fazer falta lá na frente. Somente isso. Tudo. Quando se tem, tem de mais, quando não tem, é quase nada. Em vista de quem um dia lhe causou borboletas no estomago e hoje lhe causa medo, só restam mesmo, aquelas lembranças do que foi um dia, para o que será um dia.
