O que tem feito você? Eu não sei, nunca soube. Querido, por onde andou que nunca se quer me telefonou? Eu me senti por cinco anos muito sozinha. Como se ninguém se importasse comigo. Te procurei. Minhas cartas você nunca respondeu. Durante um ano. De outono a verão. Carreguei você no meu coração. E eu, onde estou em você? Encontrei alguém. O tempo passou, envelhecemos. Eu esperava sua chaamda. Esperava ir para nossa casa. Tomar chá gelado na cadeira de balanço que teriamos na varanda. O desenho que eu havia começado já se acabou. E você ainda não me procurou. Sempre soube das coisas que eu gostava. Sabia que eu esperava que me procurasse. Já me casei. E você, o que tem feito querido? Eu não disse que deixei de te amar. E por isso eu lhe escrevo mais uma carta. Entre os 1.975 envelopes. Sei que elas nunca vão chegar a você. Eu se quer me lembro o caminho de casa. Querido, o que tem feito você? Eu que sempre sonhei em ter tres filhos com você. Tomariamos banho na cachoeira no verão. Iriamos colher flores no campo no fim de tarde das primaveras. Eu e você iamos dormir de conchinha na beira da lareira depois de um chocolate quente. E eu tocaria piano na sala enquanto você varreria a varanda no outono. Você viveu de outono a verão sem mim. Conseguirei viver de verão a outono sem ti. Mas querido, eu ainda não te esqueci. O nosso tempo passou. Nunca recebi uma carta sua. Era esse o combinado. Eu esperei que me chamsse para voltar para casa. Você disse que me chamaria. Eu vivo aqui, em uma casa grande cheio de luxo. Você sabe, querido, eu nunca quis isso. E você, querido, o que tem feito? Na minha ultima carta, eu lhe peço, querido, no proximo outono, me responda, você precisa de mim de outrono a inverno ou apenas meias estações?
Carta de uma mulher apaixonada.
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